quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Capítulo 19 – Ilhéus com Andrecita

A bicha Andrecita era muito fechativa. A cara redonda feito uma bola. A gente chamava ela Cara de Hamburger… Ela ficava virada na porra com isso. Mas era gente boa, apesar de não pagar o que devia. Mas todas as bichas gostavam de sair com ela, pois Andrecita fazia a propaganda. Quem não quizesse ser denunciada como viada, não podia andar com ela. A bicha era a encarnação de todos os viados do mundo. Cara redonda, voz super fina, feito um gato… Miava que era uma beleza. Quando andava arqueava os ombros para trás, pisava como Gisele Bundchen e empinava a bunda. Ficava parecendo uma seriema pisando em brasas…


Fui para Ilhéus resolver uns problemas de contrato de trabalho e levei o viado à tiracolo. No sítio onde fiquei tinha muitos rapazinhos. Todos logo ficaram cochichando sobre nós. Eu ouvi um dizer que eu não era gay ou era o marido da viada… Me mate mas não me diga uma coisa dessas. Perdoei, por se tratar de rapazes do interior, que não tinham muito experiência. Dali mesmo a bicha já piscou para um, fez um sinal para outro e em pouco tempo estávamos todos indo para a praia tomar banho. Era finalzinho da tarde, a noite caindo devagar… Foi muito bom. Corremos nus na praia, tomamos banho juntos, brincamos bastante naquele encontro. Fizemos sexo a torto e a direito… No dia seguinte, fomos para uma localidade chamada Joerana. Era um descampado onde se podia gritar que ninguém ouviria num raio de quilômetros. Aprontamos muito. Fizemos sexo em grupo eram seis rapazes fogosos, de 18 anos acima. Todos muito roludos e brincalhões. Chupamos pica, demos o cu no mato, corríamos pelo campo com moleques enfiados em nós, tomamos banho de rio e trepamos feito loucas… De lá, resolvemos ir de carro para Uruçuca, somente eu e Andrecita. Deixamos os moleques na Joerana. No caminho, demos carona para dois machos, paramos o carro numa roça de cacau e levamos pica por tudo quanto era buraco. Ao voltar para a Joenara, recomeçamos nossa orgia particular, regada a muita bebida. Foi um dos dias mais felizes de minha vida. Chamei um dos rapazes e propus namoro sério. A resposta foi negativa. Aí eu fui consultando um a um e levando um fora a cada proposta. Voltei triste para o sítio, terminei meus serviços e voltei pra Salvador. A viagem inteira sem dar uma palavra.

A bicha Andrecita, ao contrário, apontava, lá vem um macho. Vamos parar. Aquele ali deu tchau. Viaaaado, vamos parar naquele posto que quero dar para o frentista… E eu sem dar muita atenção. Fiquei pensando sobre minha vida. Tanto dinheiro, tanta beleza, tanto carinho represado, tanta vontade de amar e ser amada de verdade, e nada acontecia para que isso virasse realidade em minha vida…

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Capítulo 18 – Alice atrai “Elzas”

Na gíria gay, elza é sinônimo de ladrão. E Alice parecia que tinha sangue doce para elza. Muita sorte, mesmo. Um dia, numa cidade do interior, ela saiu pedalando pelas ruas e foi parar no lugar chamado “Alto da Prefeitura”. Ali ela ficou olhando a paisagem, vendo as pessoas passarem e pensando na vida… Não tinha a menor intenção de fazer sexo com ninguém, mas a tentação apareceu. Um moleque de mais ou menos um metro e oitenta, magro, a pele bem morena e bronzeada… ele usava calça jean surrada, justa no corpo e uma camiseta branca sem mangas. Alice olhou logo no monte que aparecia com destaque no meio das pernas do rapaz… Ali devia ter uma bela de uma mala, pensou Alice… E ficou logo toda animadinha… Chamou o rapaz e perguntou sobre algum endereço qualquer e ele foi muito solícito. Tentou ajudar a pobre coitada da biba, que se dizia perdida e não sabia como voltar pra casa, pois tinha pedalado muito e não observara o caminho de volta… Ele se prontificou a tentar encontrar a residência dos amigos dela. E ela aceitou segui-lo, louca que tava por aquele corpo.

O rapaz era mesmo um grande pedaço de mau caminho. O cheiro dele inebriava a bichinha, que fazia uma semana que não sentia um talo de pica encaixado no cu… Ela piscava um olho pra ele, gagueijava e nem observou que já tinham caminhado mais de cinco minutos em direção a umas ruas meio paradas… Alice tinha ficado tão encantada com o bofe que faria sexo com ele até mesmo ali, no meio da rua… E parecia que ele estava ficando excitado, pois a trocha entre as pernas tinha crescido e estava como se tivesse uma banana da terra dentro da calça, marcando do lado esquerdo.

O rapaz parou junto a uma casinha de uma única porta e janela na frente. Falou que tava com vontade de mijar e perguntou se Alice não se incomodava em parar um pouco. Ela, com o cu piscando, ficou toda animada com a hipótese de ver a chibata dura do macho ali, pertinho dela.

Ele baixou o zíper e tirou de dentro da cueca uma lasca de pica de 22cm. Estava tesa como uma madeira, torta pra cima, a cabeça da pica toda coberta por uma pele morena. Ele arregaçou o pau e começou a mijar como um jegue. Não parava mais de fazer xixi. Alice, de olho duro naquele picão imenso, doida pra pular na frente do rapaz, ajoelhar-se, abocanhar aquela vara tesuda e mamar até ele pedir para parar…

Ele já estava ciente do que ela queria e fingia continuar mijando. Amassava o pau, balançava de um lado para o outro, arregaçava e fechava de novo a cabeça da pica e olhava de lado, para perceber se Alice estava olhando… Alguns segundos nesse ritual de sedução, ele olhou para ela e perguntou:

– Quer dar uma pegadinha?

– Claro! – quase gritou Alice, partindo logo para começar o amassamento da pica, fazendo um quibe do cacete daquele macho.

O cheiro de pica alucinava a biba, que esfregava a mão na cabeça do pau do cara, e depois passava no nariz. O cu já estava em brasa, lubrificado e louco de desejo de ser arrombado. O rapaz pegou no pescoço de Alice e empurrou em direção à pica. Nem precisou muito esforço, a chibata já estava toda enviada na garganta do viado, que gemia, engolia a pica até o talo, tirava todo da boca e voltava a engolir o pênis com tanta gulodice que o homem quase goza na boca dela. Mas ele não aguentou muito tempo aquela massagem na cabeça da pica, com a língua, e encheu a boca de Alice de esperma quente, que saiu em jorradas fortes, acompanhadas de estocadas do pau na garganta dela. Nem deu tempo cuspir, pois ou ela engolia a gala ou ficava com a pica entalada na goela. Preferiu beber o esperma todo…

Ele tirou a pica da boca de Alice, bafou a bicicleta e correu. Ela, coitada, nem teve tempo de gritar. Ficou estupefata, apaixonada por aquele lindo bofe. Nunca mais teve a oportunidade de vê-lo, muito menos a bicicleta…

Na semana seguinte, outra elza levou um celular novinho em folha da bicha… nesse mesmo dia, ela levou um murro no ouvido, que ficou zumbindo por três dias… Indo para a praia com a biba Ricardete, as duas foram apedrejadas por moleques homofóbicos. Se as bibas não conseguem entrar num ônibus que ia passando na hora, teriam talvez morrido assassinadas pelo ódio dos rapazes…

domingo, 12 de dezembro de 2010

Capítulo 17 - Andrecita - a bicha puta

Eu tinha uma amiga bicha chamada Andrecita, que sempre alardeou que ela era a boa, que conhecia todos os machos da Cidade Baixa e que controlava uma área enorme, que os homens a protegia, etc. Um dia estávamos indo para uma festa e passamos na casa de uma mulher amiga da biba. Ali ficamos um tempinho, esperando que ficasse mais tarde, para não irmos todos de uma vez só para a festa. Como a mulher era muito amiga da Andrecita, a chave da casa ficou com a gente. Quando estávamos saindo para a festa, apareceram dois rapazes bonitos, magros e altos, e a minha amiga Andrecita não se deu e começou a se insinuar para eles, que pararam e pediram água, pretexto para entrarem na casa e comerem o cu da bicha. Mas a bicha tem um sexto sentido que acendeu a luz de “perigo”, pediu para os moleques ficarem fora da casa enquanto ela iria pegar a água. Eles tomaram a água e foram embora. Nós seguimos para a festa. Mas a biba era muito esperta e voltou por um atalho, para conferir se os rapazes tinham mesmo ido embora ou se tinham voltado para tentar entrar na casa na nossa ausência. Quando a biba chegou, eles estavam tentando arrombar a porta da casa, a fim de roubarem tudo o que pudessem. A biba gritou por socorro e as outras monas que estavam acompanhando ela voltaram para ver o que estava acontecendo: a biba estava brigando com os rapazes, dando murros e usando um caixote de tomate como arma. Ao invés de os moleques da rua ajudarem a biba, começaram a espancar ela. As amigas bibas, com medo de serem espancadas também, começaram a correr e a se esconder. Teve uma que ficou escondida atrás de um poste, a outra estava dirigindo um carro fugiu para não ter o carro apedrejado e as demais escaparam como por encanto. No final, a biba que estava sendo espancada também conseguiu escapar e todos se salvaram.

Ela era a bicha mais enrolada que se pode conhecer. Tomava dinheiro emprestado de todo mundo e não devolvia. E eu, mesmo sabendo da fama da biba, caí no golpe. Ela chegou à minha casa chorando, contando misérias: a luz tinha sido cortada, a mãe estava doente e não podia ficar sem comer e outras mentiras. Eu emprestei R$ 1.500,00 a ela, sob a promessa de receber o dinheiro de volta em uma semana. Até hoje espero. E o pior é que eu soube por outras bichas fofoqueiras que Andrecita tinha gasto o dinheiro com um moleque num desses motéis de última categoria… Ah, desgradaça. Se eu soubesse que era para isso tinha deixado a viada sem dar o cu por um bom tempo, pois ela só trepava com homens se ela pagasse tudo, do motel à cachaça… Mas um dia pego ela de jeito. Ah, se pego!!!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Capítulo 16 – Alice toma muro e chutes no Farol da Barra

Em Salvador há vários locais que são tradicionalmente conhecidos como de pegação e de sexo fácil. Um desses locais é atrás do Farol da Barra, principalmente durante os dias de carnaval ou de qualquer outra festa de grande porte que aconteça ali, como Reveillon.

Como Alice já conhecia aquela point, que Mark lhe apresentou, e como ela já tinha frequentado muitas vezes aquele local, que por sinal é muito sujo, escuro e perigoso, num carnaval desses, lá vai ela atrás procurar sexo.

Logo na chegada, ela viu muita gente fazendo sexo. Umas bichas mais fogosas tinham três machos de pau duro se revezando em enfiadas de pica no cu e na boca delas; outras bichas estavam namorando; outras olhando.

Alice tinha muito fogo no cu e não se contentou em ficar somente olhando e foi logo procurando por um parceiro, com muito cuidado, pois sabia que ali, naquela escuridão, o risco de ser assaltada era muito grande. As Elzas estavam soltas. No meio do caminho, foi abordado por um moleque que lhee pediu um real. Ela disse que não tinha, e, sentindo o clima pesado do local, foi se afastando e tentando se esquivar do assédio do rapazinho, que lhe seguia a passos largos. Quando Alice sentiu que a coisa iria ficar grossa, começou a correr. Era tarde demais. O moleque não estava sozinho e gritou para seus comparsas que lhe ajudassem. Uma galera se formou para pegar bicha, mas ela consegui escapar, não sem antes tomar um chute nas costelas que, se tivesse lhe desequilibrado, teria sido fatal, pois ela rolaria ribanceira abaixo, pelas pedras, só parando quando chegasse junto ao mar, já toda ensanguentada. Esse chute lhe doeu por meses. Alice ficou com um hematoma enorme e até precisou ir a um médico, tomar remédios e fazer fisioterapia por quatro meses para se livrar das dores horríveis que passou a sentir. Parece que o rapaz tinha um coice de jegue, tamanho foi o estrago. Desde então ela resolveu nunca mais passear por ali, com medo de lhee acontecer coisa pior no futuro.

Capítulo 15 – Ricardo de Vitória da Conquista

Quando Alice era adolescente conheceu um cara chamado Ricardo, que morava em Vitória da Conquista. Como ela estava trabalhando na época, pegou o primeiro táxi que encontrou na pracinha da cidade onde morava e correu para inciar um novo romance na vida. O primeiro contato foi através de um anúncio na revista Private. Quando os dois se conheceram pessoalmente foi apaixonite aguda. Na verdade, Alice mergulhou fundo numa paixão enlouqueica, mas eles não sentiu a mesma coisa por ela. Era mais um capítulo de sofrimento, cartas intermináveis, quilômetros de poesias, dias e noites sem dormir e sem comer. Alice se maninha apenas com a ilusão de um dia ter o amor de Ricardo.

Os anos se passaram e o amor não correspondido se acabou, mas os dois continuaram amigos e sempre se falavam ou escrevia. Ele estava morando em Aracaju, quando viu outro anúncio de Alice, em outra revista masculina. O texto parecia copiado e colado: “Procuro amor verdadeiro, fidelidade, compromisso, respeito e blá, blá, blá…” Ricardo respondeu, se encontrou com Alice de novo, mas o clima não era mais o mesmo da adolescência. Alice agora era uma bicha louca, alvoraçada, viciada por pica e impaciente para conquistar ou reconquistar um amor, que deveria levar meses de paquera, mão não mão… Ela queria era logo a pica no cu, gozada pela cara, ser chama de lagartixa e ser jogada na parede.

Ricardo ficou decepcionado e assustado com tanta “euforia” de Alice e se foi para todo o sempre, amém!

A amizade, antes do sumiço, ficou abalada. Ricardo pediu um empréstimo a Alice. Comprou um carro e não pagou. Alice ficou no prejuízo. Brigaram feio. Só depois disso eles deixaram de se falar e se ver.

Capítulo 14 – A biba inglesa

Alice conheceu Mark através de Fernando Pimetal que, por sua vez, tinha encontrado a bicha num bate-papo internacional. Fernando sempre foi rato de internet. Conhecia todos os sites de busca de homens, namoro, casamento. Por isso mesmo, Fernando se “casou” várias vezes. Toda semana ligava para Alice com uma novidade:

– Casei, amiga. Agora com um italiano de dois metros de altura.

O caso não durava muito. Bastava um encontro, uma foda e o encanto se desfazia. Houve casamento com Bruno, Paul, Vaca Holandesa (uma bicha estranha), Padre… Ninguém escapava. Fernando sempre gostou de loiros dinamarqueses, suecos, irlandeses, islandedes, noruegueses e outros “eses”. Apesar de ser negão, do beição e do bundão, típicos da raça, ele rejeitava qualquer semelhança com os demais moradores da cidade mais negra do Brasil. Até se decepcionar com a Europa, onde viveu por anos a fio, trepando com cada um dos gays daquele continente. Enjoadinho, voltou para o Brasil e se entregou de vez à orgia com negros soteropolitados, paulistas, pernambucanos, paranaenses… Viajou o país inteiro em busca da melhor “pegada”. Acredito que ainda hoje, mais de vinte anos após sua primeira viagem à procura de pica preta, Fernando ainda não encontrou a sua cara metade…

Voltando a falar de Mark, a bicha era louquíssima. Realizava festinhas no apartamento de cinco quartos na Barra, durante as quais distribuía maconha e cocaína aos presentes. Todo mundo tinha que cheirar e fumar, beber drinks importados e cair na putaria. Quem era ativo aprendia a receber tola de 20 centímetro no cu e achar pequena, após umas duas rodadas de drogas e cachaça de boa qualidade. A festança costumava iniciar na praia, quando se fazia o cadastramento dos machos que seriam convidados. A biba ficava de olho. Quando via um moleque ou homem que valia a pena ela chamava para tomar uma cerveja. Durante as mais de vinte vezes que eu me encontrei com Markete na praia do Porto, não me lembro de algum homem se recusar a lhe conhecer e a participar das festinhas.

A biba era internacional, cheia da grana, falava português muito melhor que alguns nativos, gostava da putaria. O babado tava feito. Não tinha pra ninguém. Mas ela não era boba. Todas as festas eram filmadas, com câmaras escondidas e posicionadas estrategicamente pela casa inteira. Depois descobrimos vários sites internacionais onde ela expunha as chibatas e cus dos baianos, com acesso restrito e sob pagamento de quantias altíssimas. Ela lucrava muito com o negócio. Aí eu entendi de onde vinha tanta bufunfa para gastar com orgias, homens, festas e mais festas.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Capítulo 13 – Fernando Pimentel

Em 1994 eu conheci Fernando. Eu tinha ido à antiga boate Holmes, que depois mudou para Yes, na ladeira que sai do Campo Grande para a Avenida do Contorno. Eu estava sozinho e procurava alguém com quem namorar. Quando vi aquele negão dançando no meio da pista de dança, não me contive. Aproximei-me dele e perguntei o seu nome. Ele respondeu em inglês, dizendo que não falava português. Eu estava fazendo um cursinho de inglês fazia dois meses, e aproveitei para testar minha pronúncia com uma frase básica “where are you from?”, que ele respondeu dizendo que era da Inglaterra. Perguntei sobre o seu número de telefone, mas ele disse que não tinha. Escrevi o número do meu fone residencial e dei a ele, que guardou. Depois de muitos anos descobri que ele não tinha se interessado por mim e que tinha respondido em inglês somente para me afastar...

Uma semana depois ele me ligou e marcamos para nos conhecer. Ele continuou fazendo o papel de britânico, falando com sotaque e fingindo que não entendia muitas palavras em português. Sempre perguntava sobre o significado de algumas palavras corriqueiras, o que me fazia acreditar que ele realmente era estrangeiro. Eu não tinha tido contatos com gringos antes e por isso caí no conto do inglês.

Por muitos meses acreditei que ele realmente era de outro país. Ele se surpreendia com o tamanho minúsculo do meu apartamento e dizia que na terra dele as casas eram enormes e que não ficavam tão próximas umas das outras como aqui no Brasil, apontando para os prédios que ficavam quase colados ao meu.

Ele dizia que estava morando no Brasil, vindo da cidade de York Shire para fazer um curso de intercâmbio cultural e que estava morando em uma casa de família no bairro São Caetano. Jamais me dava o endereço ou o telefone. Eu só tinha contato com ele quando ele me ligava e marcava algum encontro, que geralmente era em minha casa. Quando ele ia embora, eu o acompanhava até o ponto de ônibus, com medo que alguém o assaltasse ou o agredisse, ou ainda que ele se perdesse e não pegasse o ônibus certo, mas ele sempre pegava o veículo certo: uma besta que fazia transporte clandestino do Centro para São Caetano.

Com o passar do tempo eu fui ficando desconfiado, pois as histórias que ele contava nem sempre batiam e às vezes ele contava versões diferentes. Outra coisa que me encucava era o fato de ele traduzir claramente as músicas que tocavam na rádio, dando versões muito bem estruturadas em português muito claro. Suas unhas também sempre estavam grandes e sujas, o que me deixava com uma pulga atrás da orelha, dado que os costumes higiênicos de pessoas de países civilizados são muito mais severos que os do Brasil.

Fui investigar na Internet e encontrei nomes de pessoas com a assinatura Pimentel em São Paulo, outras partes do Brasil, em Portugal e uma história sobre a origem do nome, que teria vindo de um nome comum na Áustria. Busquei informações sobre a cidade da qual ele alegava ter vindo (York Shire) e descobri que lá existia uma festa muito popular chamada “Rose’s War” (Guerra das Rosas), o equivalente à parada de Sete de Setembro do Brasil em visibilidade e publicidade. Descobri um telefone em Salvador pertencente a uma família com o mesmo sobrenome dele. Liguei para este fone e sempre um rapaz com a voz parecida com a dele atendia ao telefone, mas eu não alimentava o papo e desligava.

Imprimi vários artigos da Internet e chamei Fernando para conversar. Perguntei-lhe sobre o significado de Rose’ War e ele me disse que significava Guerra das Rosas. Falei que eu já sabia disso, mas queria que ele me dissesse se este nome lhe lembrava algo. Ele negou que conhecesse. Eu então relatei que era o nome de uma festa muitíssimo popular em York Shire. Ele ficou sem graça, mas não comentou nada. Falei que tinha descoberto tudo sobre ele, que o nome da família era de origem austríaca, mas que ele era brasileiro e que morava na Jaqueira do Carneiro, em São Caetano, etc e ele continuou a negar tudo. Falei para ele parar de representar e comecei a chamá-lo de Fernando, e não Ferdinand, seu suposto nome. Com o tempo ele foi admitindo as mentiras. Tornamo-nos amigos e até hoje mantemos contatos e um relacionamento amistoso.

Acabei conhecendo toda a família dele e descobri que todos nasceram em Sapeaçu e depois se mudaram para Salvador. Com estas informações, criei uma história fictícia sobre Nova Inglaterra. Sapeaçu é uma cidade muito pequena, às margens da BR-101, próxima a Cruz das Almas. A cidade é tão pequena que o terminal rodoviário só tem vaga para dois ônibus e não tem espaço para escrever TERMINAL RODOVIÁRIO: escreveram apenas TR de Sapeaçu. Embaixo da cidade, existe a cidade de Nova Inglaterra, com metrôs super confortáveis e velozes, que se conectam com o centro de Londres. Dali também partem navios, trens-bala e rodovias de alta velocidade (high ways) que se interligam com as principais capitais européias. O problema todo é que os nativos britânicos vivem ali debaixo, a uma temperatura de no máximo vinte graus, em determinados períodos do ano cai neve e tudo mais. Todos os dias eles precisam subir para Sapé (este é o apelido de Sapeaçu) para aprenderem português, história do Brasil, comer as comidas comuns aos brasileiros, passar parte do dia a uma temperatura de 40º C, aprender a lidar com a moeda brasileira e com a inflação, vestir as roupas dos brasileiros, etc, para evitar que alguém descubra que no subsolo há uma cidade super evoluída e de primeiríssimo mundo.



Mundo louco

Com Fernando, a gente rodou meio mundo, literalmente. Sempre viajávamos e sempre nos divertíamos bastante. Na maioria das vezes a gente encontrava parceiros para orgias ou para sexo a dois. Nossas aventuras, no entanto, jamais incluiu sexo entre eu e ele ou entre eu e alguém mais ele. Transávamos em ambientes e com pessoas diferentes, como se houvesse um acordo entre nós para não nos misturarmos.

Numa dessas viagens, fomos para uma roça próxima à cidade de Cachoeira com Sidney, um amigo que tínhamos em São Tomé de Paripe.

Era carnaval e preferimos ficar longe da muvuca de Salvador nessa época, que fica lotada de turistas do mundo inteiro. Na roça eu percebi que tinha um rapazinho negro, lindo. Fiquei interessado e acabei dando algumas indiretas para ele, que recusou as minhas investidas. Além da recusa, ele chegou para o pai e contou. Foi motivo de gozações o tempo todo, o pai dizendo que se o filho gostasse de cu andaria com uma galinha debaixo do braço etc. Fiquei super irritado com a situação. Durante a noite, fiquei andando pela roça, cantando alto e perturbando o sono de todos. Eu fui para o riacho, dentro do quintal desse rapazinho, durante toda a noite, falando alto e cantarolando bobagens.

No dia seguinte, fomos convidados para um caruru numa roça vizinha. Foi minha vez de me vingar. Eu nunca tinha aprontado daquele jeito, e me senti livre para fazer palhaçada e afrontar as pessoas que ali estavam. Enquanto estava rolando a comemoração e as músicas dos orixás eram cantadas e batidas nos tambores, subi num toco de árvore e fiquei dançando pagode e fazendo fechação de bicha, chamando a atenção de todos os presentes, principalmente dos moleques e rapazinhos, que me convidavam para caminhar no escuro no matagal, o que eu recusava, por óbvio.

A tia do meu amigo Sidney ficou horrorizada e me pedia, pelo amor de Deus, que parasse com o espetáculo. Eu não a atendi, claro. No dia seguinte, o boato estava correndo pelas redondezas. Aí eu tinha me vingado, pois se era para espalhar que eu era gay, que se espalhasse de forma a que todos tivessem acesso à informação, e não apenas aqueles que privassem das fofocadas.

Saí caminhando pelos arredores com Fernando, encontramos três rapazes que estavam colhendo caju. Insinuei-me para eles, que acabaram gostando da brincadeira e subiram no cajueiro para tirar caju para mim e para Fernando. Depois combinamos de nos encontrar numa roça adiante. Antes de nos encontrarmos com eles, voltamos para casa, a fim de tomar um banho e almoçar. Acabei pedindo comida em uma casa de desconhecidos e fui chamado, juntamente com Fernando, para almoçar. Quando serviram o prato a Fernando, imaginei que fosse um prato para nós dois. Quando fui pegar um pouco de comida no prato dele, ele berrou feito Monga e quase me morde. Protestei e ele continuou irredutível. Depois recebi um prato de comida também.

Fomos nos encontrar com os rapazes, mas apenas um deles apareceu. Ele tinha uma faca peixeira enorme na cintura, o que me amedrontou. Mas o medo fazia parte do jogo e acabei indo a um canavial com ele e Fernando. Acabamos trepando com esse rapaz no meio dos pés de cana. Depois voltamos para casa, satisfeitos e felizes.



Fernando conhecia muita gente pela internete. Uma delas foi Jayson, que se masturbava todo dia e guardava o esperma numa jarra, na geladeira. Sempre que escrevia pra Fernando, esse Jayson falava que a jarra estava enchendo… a outra pessoa foi um padre, com o qual Fernando teve um namoro de seis meses. Fernando era apenas mais um, pois o padre tinha uma lista de mais de cem rapazes, com quem mantinha sexo todos os meses.



Aventura – a dona da Ilha de Itaparica

Ventura, como costumávamos chamá-la, era uma bicha negona, gorda, desdentada, sempre maltrapilha, mas andava rodeada de moleques. Moleque, na gíria gay, são os heterosexuais que transam por dinheiro ou por um copo de cerveja. E dinheiro Ventura tinha de sobra. Dona de quatro pousadas na ilha, ela andava com roupa de pobre para não chamar atenção. Outro motivo que ela me confessou um dia era para não afastar os moleques. Como os moradores da ilha eram, na maioria, de classe média, e todos se vestiam bem à vontade, Ventura resolveu se trajar igual, para ser poder se aproximar da garotada e ganhar a confiança.

Apesar de ser empresária, ela morava num casebre num conjunto habitacional para pessoas de baixa renda. Ali ela fazia de bordel, sem ser incomodada por ninguém. A vizinhança conhecia as estrepolias dela, mas fazia vistas grossas, por causa dos favores que Ventura fazia, bem como pela língua ferina da bicha. Qualquer contrariedade e ela botava os podres na rua. Não tinha vergonha nem pudor de gritar abertamente o que fazia entre quatro paredes com os homens casados do lugar. E como ninguém queria ver seu nome arrastado pelo lixo, ficavam todos pianinho, fingindo não ver nem ouvir nada. Mas quem conhecia bem a danada da Ventura, sabia que ela era fogo. Já tinha transado com quase todos os bofes de Itaparica, sem falar nos machos que iam veranear no lugar.

Para atrair a molecada, ela dava festinhas particulares, regadas a feijoada, muita cachaça, cerveja música alta. Do pior pagode à música clássica, de MPB a sucessos internacionais, ela conhecia de tudo um pouco. Para agradar a gregos e troianos. Só não dava dinheiro vivo aos moleques, para não viciar. Quem quisesse comer um cu e receber como pagamento um prato de feijão, uma garrafa de cachaça ou uma boa dormida “enfiado na mamãe”, como ela se gabava, era só se aproximar. Um moleque vinha, gostava da putaria e chamava outro. Era como isca. Cada um ia chegando, metendo a rola e chamando mais vítimas. Todos eram chamados de “merendinha”, por Ventura. Ela debochava dos coitados, pelas costas, é claro. “Só chegam aqui para comer, esses mortos de fome”. Mas era o que ela mais fazia: matar a fome dos homens, tanto fome de comida, como de sexo. As mulheres não gostam muito de dar a buceta para todo mundo. Uma ou outra que vira puta não consegue dar conta de tanta pica. Na adolescência, e tinha muitos adolescentes na ilha, os homens ficam ariscos e doidos para fuder. Ventura tinha um cu guloso, que não se contentava somente com uma caceta. Por noite, ela costumava dar o rabo a mais de dez homens. E se gabava de não “passar cheque”, ou seja, não cagar no pau dos caras… Ela fazia uma “chuca”, limpeza do cu com um litro de água limpa, para evitar passar vergonha na hora “h”. Não se sabe se o que ela contava era verdade ou se tinha um pouco de exagero, pois todo viado é exagerado. Quando vai a uma viagem e não consegue dar o cu a ninguém, inventa que comeu mais de cem chibatas, somente para não “ficar para trás”, nas conversas e nas resenhas quando se juntam, em grupos, para botar o papo em dia. Mas uma coisa era certa, nas poucas vezes que fui visitá-la, quando eu estava deprimida e em busca de carinho e afeto, sempr encontrei a casa dela repleta de rapazes de todas as idades, cores, alturas e pesos. A bicha parecia que tinha ímã para atrair homem.

Mas a fama dela também era de ser uma bicha ladrona. Ventura era acostumada a frequentar festas e sempre trazia talheres, pratos, taças e tudo o que pudesse encontrar no fácil. A casinha onde ela fazia as festinhas era repleta da melhor prataria, tudo novo, mas com um detalhe: não haviam dois pratos iguais, nem tampouco um par de talheres que fizesse par.

Uma vez eu fui convidada para “comer” um moleque de Ventura. Me arrependi depois. O homem era um espetáculo. A bicha parece que fez de propósito, pois eu era tida no grupo como a viada mais gulosa, a que dava truque e que comia os machos das amigas. Ventura fingiu que era “casada” com um bofe lá e ficou me fazendo ofertas para eu dar o cu para o marido dela. Eu aceitei e fui me encontrar com ele. Na hora de fuder, saí correndo e vomitando, pois ele tinha uma doença no pênis que fazia dó. Estava cheio de ferimentos, pus escorrendo para todo canto, misturado com sangue. Eu fiquei mais de um mês sem fazer um boquete em macho algum, com nojo, só de lembrar da cena…